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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Carnaval e violência (contra a inteligência)

O nível de democracia e liberdade numa sociedade é inversamente proporcional a quantidade de espetáculos encenados. Ou seja, quanto mais nossa sociedade se torna totalitária, maior é o número de grandes espetáculos fornecidos pelo sistema para distrair o povo. Essa é uma verdade válida para os grandes impérios totalitários da história. Não precisamos regressar ao tempo do Império Romano pagão, com sua política do pão e circo como iniciativa para domesticar as massas, para que estas não se revoltassem contra o sistema. Fiquemos no século XX. Os impérios nazistas e comunistas adotaram a estratégia do espetáculo como arma política para controlar o povo. Basta ver os vídeos dos grandiosos desfiles militares, que eram os espetáculos preferidos da época. Mesmo com a queda oficial do comunismo na União Soviética, na Rússia ainda são feitos desfiles no mesmo estilo faraônico do tempo de Stalin.

Nesses regimes o espetáculo, no qual se exibe o poder bélico da nação, provocava um grande efeito psicológico no povo. Armas de alta tecnologia são sinais evidentes de poder e domínio. Como os governos comunista e nazista se diziam populares, sendo o exército uma força estatal, o povo se sentia parte daquele poderio. Inconscientemente, o espetáculo bélico provocava orgulho no povo de pertencer a uma nação tão poderosa, que pode colocar “medo” nos adversários, um poder que pode dominar sobre qualquer povo mais fraco. Na verdade, essas manifestações públicas em que mísseis transcontinentais eram exibidos em paradas militares evidenciavam como uma grande nação estava refém de uma cúpula imunda de poder onipotente e onisciente, contra a qual nenhuma liberdade individual poderia resistir. Todos aqueles que se manifestavam contra o poder estatal foram fisicamente eliminados. O espetáculo soviético e nazista servia para desviar as atenções, e para construir um imaginário popular de poder e prosperidade nacional, quando na verdade havia repressão violenta, retrocesso e pobreza.

A sociedade do espetáculo hoje continua igual ao tempo soviético e nazista, com a mesma eficácia. O pior é que se tornou operacionalmente mais eficiente. Hoje os opositores do sistema dificilmente são fisicamente eliminados. Eles são isolados, estão cercados por um mar de idiotas. Também lhe tiraram a voz, pois na mídia também não há lugar para a liberdade e inteligência. Criar uma máquina que reprime pela violência é muito caro e psicologicamente negativo, pois estímulos negativos causam revolta dos que são condicionados a docilidade. O comunismo e o nazismo com sua máquina de morte geraram um oceano de opositores. A psicologia comportamentalista (o behaviorismo) mostrou que os estímulos positivos produzem mais efeitos na domesticação que os efeitos negativos. Vejam como se torna um cão totalmente obediente ao seu dono. Não se bate no animal. Muito pelo contrário, se o cão faz aquilo que o treinador quer, lhe dá comida. Isso é feito repetidas vezes, até que chega o dia em que o cão está condicionado a fazer aquilo que seu treinador quer, porque sabe que isso lhe traz um benefício, comida. O cão submete-se ao humano em troca de um prêmio que é a comida.

O condicionamento das massas dá-se igual ao treinamento de cão. O espetáculo é a isca que o treinador dá, e a massa abana seu rabo, sente “livre” para se divertir como quiser – ao mesmo tempo em que é invisivelmente dominado pelas garras de um sistema totalitário. Pode parecer cruel, mas é a pura verdade: todos somos domesticados como cães sem que saibamos disso. Hoje há engenheiros sociais que se utilizam dos conhecimentos de psicologia e sociologia acumulados nos últimos 150 anos para conduzir as massas ao rumo esperado. Seu objetivo, entre tantos outros é moldar a mentalidade do povo de acordo com o interesse do poder econômico, aqueles que estão no ponto mais alto da pirâmide social. Claro que você não achará uma faculdade e ofereça um curso e engenharia social. São poucos os indivíduos que possuem esses conhecimentos, e são muito complexos os meios de que se valem para manipular o povo. Mas quem manipula o povo? O governo? Não, porque o governo também é manipulado. A engenharia social é praticada por aqueles que manipulam o governo, que se ocultam por traz de fantoches democráticos – os três poderes do estado plutocrático de direito.

A engenharia social descobriu com o tempo que é mais eficiente condicionar as massas com estímulos positivos (como o carnaval), que não causam revolta, do que com estímulos negativos – campos de concentração, prisões, câmaras de gás, morte dos adversários. Os estímulos positivos continuam sendo os espetáculos, que não são mais militares, mas “artísticos”, principalmente através de som e vídeo. A indústria da música, da mídia e do cinema são as principais formas de estímulos positivos para distrair o povo. A proliferação dos espetáculos mundiais de música serve para condicionar as massas, ou melhor, condicionam seu subconsciente. A proliferação dos espetáculos esportivos também segue a mesma lógica, distrair e condicionar. O pior é que a cultura do espetáculo que se expandiu por todo o globo durante o século XX não apenas distrai, mas também idiotiza o povo. Para verificar essa tendência a idiotização das pessoas, basta hoje indagar um senhor de 90 anos sobre a juventude de sua época. Ele dará um claro diagnóstico de como a situação hoje piorou. Em grande parte das rodas de jovens hoje não se trata de política e de temas que realmente interessam. As conversas da atual geração são em 99,9% dos casos as maiores banalidades imagináveis. A experiência mais rara que tenho é ouvir na rua duas pessoas tendo conversas realmente produtivas. Quanto menor a faixa etária, piores são os temas. Não digo que as pessoas devam sempre ter conversas intelectuais, mas o que preocupa é que as pessoas não tenham jamais conversas intelectuais. Isso demonstra que de fato os engenheiros sociais estão tendo sucesso no seu trabalho, que é condicionar a massa por meio da sociedade do espetáculo. Domesticam e idiotizam o povo. Se ninguém resiste a isso, o sistema de poder conduz o gado para onde quer, porque é isso que os que realmente tem poder (econômico) pensam do povo, que é gado.

O carnaval brasileiro é só mais uma forma de estímulo positivo, outro instrumento nas mãos do “domador”, mais um diante de tantos outros. No resto do mundo há inúmeros, que não caberia aqui listar e analisar com detalhes. A única esperança contra essa matrix na qual nos colocaram é o conhecimento, o qual só se adquire por conta própria, tendo a boa curiosidade (aquela que nos faz sempre buscar a verdade dessa vida) e muita vontade própria. O conhecimento hoje, como sempre, continua sendo a grande arma contra a alienação.

A parada militar soviética continua hipnotizando o povo, só trocaram o míssil transcontinental pelo carro alegórico, e o pelotão de soldados pela ala das baianas. Afinal de contas, espetáculo é sempre espetáculo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Aborto: cultura da morte

Porque o aborto é uma atitude terminantemente anti-ética?

A discussão sobre o aborto tem erradamente se desviado para a esfera religiosa, o que é um equívoco. Você pode ser agnóstico ou ateu e ser contrário ao aborto. Uma lógica muito simples demonstra que a prática do aborto é anti-ética e um atentado a vida. Vejamos a seguinte questão: alguém em seu estado mental perfeito deseja sua própria morte? Creio que não, pelo menos nunca conheci uma pessoa assim. Falo em “estado mental perfeito” porque se sabe por estatísticas que o índice se suicídio entre pessoas com depressão grave é relativamente alto. Mesmo os suicidas deprimidos não odeiam a vida, odeiam o sofrimento. Matar-se, na mente das pessoas deprimidas, é uma tentativa de escapar ao sofrimento, e não à vida. Se o suicida pudesse encontrar por si mesmo a saída de seu sofrimento para uma vida feliz certamente não se mataria.

Então, como ninguém normal deseja a morte, muito menos gostaria de ser assassinado, correto? Se você soubesse que há alguém agora mesmo tramando sua morte o que faria? Denunciaria a polícia a pessoa que planeja lhe tirar a vida, certo? Denunciaria pelo desejo de viver, que é inerente a condição humana. A morte é o maior sofrimento porque passamos, porque todos querem a vida e felicidade, e ninguém deseja a própria morte e infelicidade.

Posto isso, cabe uma nova pergunta: você gostaria que alguém tivesse tirado sua vida antes mesmo que sua mãe o tivesse dado à luz? Novamente a resposta lógica é não, pelo mesmo motivo da resposta anterior. Tirar a vida que quem não nasceu é aborto. Se o assassinato de pessoas adultas é crime – um atentado contra a vida – o aborto também o é. Não há nada de religioso nisso, é pura lógica. O desejo de viver é inerente a nós, por isso não iríamos gostar se nossa mãe nos abortasse, privando-nos de ser feliz, ter uma vida cheia de realizações, plena e produtiva. Como o aborto vai contra a vontade humana pela auto-conservação de sua própria vida, não é ético tirar a vida de quem não pode se defender - isso vale até para a guerra, um soldado não pode matar o inimigo rendido.

Tenho a certeza absoluta que todos aqueles que defendem o aborto não iriam gostar se suas mães os tivessem abortado. Então como podemos concordar com a morte do próximo? A cultura do aborto é uma cultura contrária a vida, ou melhor, é a expressão máxima de uma cultura que despreza o valor da vida. Muitos defendem que mulheres pobres, sem condição de dar uma vida digna a seus filhos, deveriam abortar, pois a pobreza é terreno fértil para a criação de criminosos. Isso não se justifica. Se uma mulher está grávida e sabe que não terá condições de sustentar seu filho pode dá-lo para a adoção. No Brasil há uma imensa fila de casais a espera de uma criança para adotar, e a adoção de bebês é ainda mais fácil. Certamente é melhor dar seu filho para a adoção – para que seja amado e bem criado – que matar uma pessoa.

Há um outro argumento científico que demonstra o absurdo que é o aborto. Está demonstrado que os índices de suicídios entre mulheres que abortaram é muito mais elevado (por volta de 7 vezes), em virtude dos dados psicológicos – a consciência de ter tirado uma vida e não ter como voltar atrás -, sem contar os elevados índices de depressão grave nesse grupo de mulheres.

A cultura da morte já existiu no passado, por exemplo, em Roma. Ela era uma sociedade que desrespeitava em grandes proporções o direito natural a vida humana. Construíam arenas em que milhares eram mortos nos grandes jogos oferecidos pelos imperadores; crucificavam os inimigos do estado ao longo das estradas para morrerem agonizando; abandonavam crianças nas ruas para morrerem a própria sorte; escravizavam os prisioneiros de guerra... Nessa sociedade da morte que era Roma antiga, o aborto era amplamente feito, como demonstra Paul Veyne (História da vida privada, volume I).

A crescente defesa do aborto é mais um sintoma da revolução cultural no sentido da volta à sociedade da morte romana. Voltamos ao paganismo, tornamo-nos neo-pagãos. Esse é um fenômeno cultural de clara decadência.

Aqueles que defendem a vida não necessitam ser religiosos. A religião tem implicações éticas, mas é possível ser ético sem envolver questões religiosas. Dessa forma, numa sociedade laica, o discurso contrário ao aborto só terá sucesso se for dissociado de questões teológicas. Pela ciência demonstra-se que a manutenção da vida é melhor que o aborto para a saúde da mãe. Cabe então a luta política que iniba a propagação dessa cultura contrária ao valor da vida humana.

Estranho fato, um paradoxo do irracionalismo atual: é crime matar um animal da fauna nativa, mas há quem creia que não é crime matar humanos. É essa a lógica do animal irracional que habita em nós, e se propaga a passos largos na atual e triste pós-modernidade. Infelizmente, esse "animal" cresce como nunca, e começa a dominar o homem racional que habita em tão poucos.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Albert Einstein é uma fraude


As revistas de divulgação científica e canais como Discovery e National Geographic – os veículos de desinformação da mídia corporativa – insistem em sustentar o mito Einstein, passando ao povo o que se formou como senso-comum do gênio: aquele sujeito que reinventa sozinho toda a ciência. Isso não existe. Quem trabalha com pesquisa científica, como eu mesmo, sabe muito bem que a ciência é uma construção coletiva. Cada cientista humildemente coloca seu tijolinho no grande edifício que é a ciência. Dia desses vi na TV um documentário grotesco sugerindo que todos os avanços tecnológicos do século XX são conseqüências das “descobertas” de Einstein.

Se tivermos que eleger o maior cientista da história, esse talvez seja Newton, cujas leis da física que descobriu continuam válidas até hoje. Outro cientista que aprecio é Leibniz, o inventor de uma nova matemática – o calculo integral e derivacional. Sem sua matemática, que é ensinada a todos os alunos de disciplinas exatas nas faculdades, os grandes avanços da ciência moderna, como os feitos das engenharias, não seriam possíveis.

O destaque que se dá a Einstein se deve muito mais por motivos políticos que científicos. Einstein era um adepto do sionismo político. E como a mídia corporativa apóia o sionismo, dão a Einstein todas as glórias pelo que nunca fez.

Numa entrevista publicada em 1996, o maior cientista brasileiro César Lattes desmistifica a verdadeira face de Einstein.

Entrevista com César Lattes publicada em 1996 no Diário do Povo da cidade de Campinas
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César Lattes — Einstein é uma fraude. Ele não sabia a diferença entre uma grandeza física e uma medida de grandeza. Uma falha elementar.

D.P. — E onde exatamente ele cometeu a falha da qual o senhor está falando?

César Lattes — Quando ele plagiou a Teoria da Relatividade do físico e matemático francês Henri Poincaré, em 1905.
A Teoria da Relatividade não é invenção dele. Já existe há séculos. Vem da Renascença, de Leonardo Da Vinci, Galileu e Giordano Bruno. Quem realizou os cálculos corretos para a Relatividade foi Poincaré.
A fama de Einstein é mais fruto do seu lobby do que do seu mérito como cientista.
Ele plagiou a Teoria da Relatividade. Se você pegar o livro de História da Física, de Whittaker, você verá que a Teoria da Relatividade é atribuída a Henri Poincaré e Hendrik Lorentz.
Na primeira edição da teoria da relatividade de Einstein, que ele chamou de Teoria da Relatividade Restrita, ele confundiu medida com grandeza. Na segunda edição, a Teoria da Relatividade Geral, ele confundiu o número com a medida. Uma grande bobagem.

D.P. — Então o senhor considera a Teoria da Relatividade errada? Aquela famosa equação E=MC² está errada?

César Lattes — A equação está certa. É do Henri Poincaré. Já a teoria da relatividade do Einstein está errada. E há vários indícios que comprovam esse ponto de vista.

D.P. — Mas professor, periodicamente lemos que "mais uma teoria de Einstein foi comprovada"...

César Lattes — É a turma dele, o lobby, que continua a alimentar essa lenda. Tem muita gente ganhando a vida ensinando as teorias do Einstein.

D.P. — Mas, e o Prêmio Nobel que ele ganhou por sua pesquisa sobre o efeito fotoelétrico em 1921?

César Lattes — Foi uma teoria furada. A luz é principalmente onda. Ele disse que a luz viajava como partícula. Está errado, é somente na hora da emissão da luz que ela se apresenta como partícula. E essa constatação já tinha sido feita por Max Planck.

(....)
Fonte: http://www.alfredo-braga.pro.br/discussoes/cesarlattes.html

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Nova Era na Igreja Católica: falsos profetas

Antonio Pinho

Recentemente têm surgido certas infiltrações da Nova Era na Igreja Católica. O movimento Salvai Almas diz que tem contato diário com Nossa Senhora, que teria revelado a um “profeta” chamado Cláudio Heckert que o Anticristo aparecerá no dia 15/02, e ele provocaria a III Guerra Mundial, levando ao “Fim dos Tempos” em 2012

Muitas pessoas atualmente afirmam que têm visões de mortos que lhes dão mensagens, ou mesmo de Nossa Senhora. A comunicação com mortos, como todos sabemos, é uma das principais práticas do Espiritismo e das religiões africanas. De minha parte, não creio na comunicação dos mortos com os vivos, de qualquer natureza: sonhos, vozes, visões, etc. Santo Agostinho, no livro O Cuidado Devido aos Mortos, declara que os mortos não têm qualquer conhecimento do que se passa na Terra, que não há comunicação entre vivos e mortos: assim como nós não sabemos o que se passa com eles, os mortos também não sabem dos vivos. Sigo seu pensamento, vejo que é a forma mais racional de ver essa questão. Há, porém, quem siga outras religiões e pense o contrário, o que deve ser respeitado.

O contato com seres sobrenaturais (anjos, gnomos, fadas, ETs, almas de luz) é uma característica fundamental do movimento Nova Era, cuja característica mais marcante é a de mesclar elementos de religiões bem diferentes entre si – budismo, hinduísmo, espiritismo, cristianismo... A crença em Jesus, mas também em Buda, na telepatia, na reencarnação, em seres espirituais divinos ou em ETs que comunicam sua “sabedoria” aos homens, etc. Não creio em nada disso. Cada um deve seguir sua religião sem tentar misturar todas, sob a justificativa de que em toda religião há verdades. Misturar Cristo com Buda e Kardec é trair tanto o cristianismo quanto o budismo ou o espiritismo, pelo fato de que cada religião encerra em si própria uma cosmo-visão da realidade, muitas das quais não são conciliáveis entre si.

Afirmar que toda religião é verdadeira é o mesmo que dizer que tudo nesse mundo é verdade. Isso implica, logicamente, que não há verdade. Caímos, assim, na armadilha do relativismo filosófico – a negação da verdade. Esse pensamento relativista tem se propagado cada vez mais na sociedade, justamente em virtude da propagação de seitas e religiões com “verdades” muito diferentes entre si, o que deixa muitos confusos, e acabam caindo no relativismo. Diante de tantas “verdades” a única verdade aparente é que ela não existe. Admito, mesmo não sendo relativista, que esse raciocínio tem certa coerência interna.

Em todo o mundo há vários que dizem ter visões de Nossa Senhora, que ela lhes revela segredos sobre o futuro da humanidade. São os “profetas” do século XXI. Usam a internet, principalmente, para divulgar essas mensagens. Há também muitos que dizem ter contato com seres de outros planetas, que lhes dariam mensagens para o bem dos homens. Um desses ETs, inclusive, se comunica com grupos de brasileiros. O ET em questão chama-se Ashtar Sheran.

Os grupos que vêem Nossa Senhora ou que afirmam contato com ETs têm muito em comum. Há um ser sobrenatural que quer “ajudar” a humanidade através de mensagens que são transmitidas a um indivíduo, o profeta, que geralmente é o líder desse grupo. O interessante é que só o líder, ou os iniciados no grupo têm acesso direto ao “ser” que comunica a mensagem de “salvação”. Esses grupos fazem parte do movimento Nova Era – a crença no contato com ETs, com espíritos...

Há um grupo brasileiro, denominado de Projeto Portal que diz ter contato com um ET chamado Bilu, que inclusive foi tema de matérias em redes nacionais de TV. O ET Bilu mostou-se uma grosseira fraude. Suas aparições foram encenadas pelo líder do grupo, como mesmo revelaram as matérias divulgadas na TV. O curioso é que os integrantes do Projeto Portal têm construído uma cidade Nova Era, capaz de resistir aos eventos apocalípticos que vão ocorrer, segundo suas crenças, em 2012.

Quero me deter aqui ao Movimento Salvai Almas, cujo líder, Cláudio Heckert, afirma ser um profeta, e que tem visões diárias de Nossa Senhora, nas quais ela lhe comunicaria mensagens sobre o futuro da humanidade. Nossa Senhora lhe falaria de eventos catastróficos marcados para ocorrer muito em breve, indicando inclusive as datas com impressionante “precisão” (com ano, mês, dia e hora exata). Assim como o ET Bilu, Nossa Senhora comunicou ao profeta Cláudio que o fim dos tempos ocorrerá em 2012. Fato que aproxima os católicos do Movimento Salvai Almas às ideias da Nova Era, que tanto tem propagado que o mundo acabará em 2012.

Acompanho pela internet o que tem divulgado esse grupo de católicos. Li, inclusive, um panfleto, que eles distribuíram por todo o Brasil, no qual há uma relação de vários eventos que vão ocorrer nos próximos meses, divulgados, segundo afirmam, em mensagens de nossa Senhora ao Cláudio. Crêem que o fim dos tempos se dará em 2012, mas antes disso várias catástrofes globais vão matar bilhões de pessoas (guerras, meteoros, bombas atômicas, o Anticristo, etc). Para quem avalia as coisas racionalmente, como eu tento, tudo isso parece um grande absurdo. É obvio, mas não sei como há quem creia nesse “movimento”, que proclama ser católico. Para se ter uma noção do absurdo, no dia 25/01/2012, um membro desse movimento, Arnaldo Haas, deu uma entrevista a uma rádio de Criciúma para divulgar as ideias de seu grupo. Falou em 3 datas nas quais vão ocorrer eventos terríveis sobre a humanidade. São elas:

- 15 de fevereiro: “o manifesto do Anticristo”;
- 23 de maio: “o início da III Guerra Mundial”;
- 22 de dezembro: “início dos 3 dias de trevas”.

O homem afirmava que o Movimento Salvai Almas faz tudo com aprovação da Igreja Católica. Não pude acreditar que alguma autoridade eclesiástica daria seu aval a tão absurdo movimento. Eu queria saber se isso era realmente verdade. Teria algum sacerdote se manifestado publicamente contra tal Movimento? Numa pesquisa pela internet encontrei um instrutivo artigo do padre Marcelo Tenório, publicado no site da associação católica Montfort . Esse sacerdote católico afirmou no artigo sem medir palavras: “Como Deus não pode errar nem se contradizer, logo, podemos afirmar categoricamente: são falsas tais revelações. Não são católicas tais revelações! Não são da Virgem Maria, Mãe de Deus tais revelações!” O padre Tenório afirma ter sido conselheiro espiritual de um membro desse grupo, portanto conhece de perto a realidade desse Movimento. Afirmou que o Movimento Salvai Almas é uma heresia, porque contradiz os ensinamentos tradicionais da Igreja.

Eu havia encontrado, enfim, a autoridade eclesiástica que há tempos esperava ouvir.

São falsas essas aparições de Nossa Senhora ao Cláudio, afirma o padre Tenório, porque há certos ensinamentos dados nessas visões que contrariam a Bíblia e o Magistério da Igreja. Até mesmo os adventistas reconheceram que Cláudio é um falso profeta: “Um dos ensinamentos básicos do adventismo é que ANTES da segunda vinda de Jesus, os anjos caídos simularão seres humanos falecidos, mandarão mensagens através de “santos’ do cristianismo e farão grandes milagres. Cláudio Heckert diz a mesma coisa, mas credita este fato, não a uma simulação de Satanás, mas obra de anjos e santos verdadeiros” (link desta citação abaixo).

Objetivamente falando, é suspeito crer em alguém que afirma ter tipo visões, seja de que entidade for, porque se só o vidente que a vê, como saber que ele fala a verdade? Não digo que os falsos videntes e os falsos profetas façam isso com má intenção. O padre Tenório dá a entender uma origem demoníaca a essas visões. E os adventistas são mais claros ainda, pois afirmam que “Isso são mentiras luciferianas.”

Não interpreto o fenômeno dos falsos profetas por esse lado, ao menos no caso de Cláudio. Temos inevitavelmente a tendência a interpretar eventos, que não compreendemos bem, com explicações sobrenaturais. Passamos a ver Satanás e demônios em tudo que achamos errado nesse mundo. Com esse modo de raciocinar, atribuindo ao sobrenatural o que é natural, que nasceram os mitos e os deuses pagãos, que eram personificações das forças da natureza, ou mesmo eram partes da natureza (o céu, os planetas, o sol, a lua, o mar, os ventos eram deuses para os povos antigos).

Eu penso que os falsos profetas podem agir muitas vezes com boa fé. Temos que olhar essa questão por um viés mais psicológico. Pessoas extremamente religiosas, como creio ser Cláudio, têm tanta vontade de estar em mais proximidade com o divino que seu cérebro, inconscientemente, produz fenômenos mentais e orgânicos que parecem ser sobrenaturais, como vozes, visões, sonhos, profecias, etc. De tanto desejar ver o divino suas mentes produzem manifestações daquilo que tanto querem, no presente caso, visões de Nossa Senhora. Ela nada mais é que uma manifestação que seu subconsciente, que se dá por meio da visão da imagem de Nossa Senhora. Se fosse algo real vários veriam a mesma coisa. A aparição a um só indivíduo é um evento suspeito, que se manifesta não como evento real, mas como uma criação da mente subconsciente do “profeta”.

É sabido que o desejo exagerado por algo provoca reações no organismo. Vejamos os casos de gravidez psicológica. Mulheres que passam por isso apresentam todos os sintomas de uma gravidez real, mas na verdade não estão gestando um bebê. De tanto querer ser mãe, seu subconsciente provoca reações químicas em seu organismo que aparentam ser uma gravidez. Também há o caso do efeito placebo. Pessoas às quais se dão comprimidos de farinha, pensando que eram verdadeiros, acabam apresentando melhoras, porque seu subconsciente enviava ao organismo a mensagem que estava sendo tratado do modo correto, o que provoca uma reação positiva do corpo. Algo semelhante se dá com “profetas” como Cláudio. De tanto desejar sinceramente ver Nossa Senhora, sua mente acaba produzindo visões dela. Suas mensagens são na verdade essa manifestação de seu subconsciente, uma projeção de si mesmo. Se dá o mesmo com a visão de fantasmas, eles são a manifestação de nossos medos da morte; porque como já afirmava Santo Agostinho, eles não se manifestam a nós vivos.

Essa é a melhor explicação que encontro a visões de falsos profetas, que agem com boa fé. Claro que há aqueles que mentem deliberadamente por vontade de ter poder sobre um determinado grupo, e para ganhar dinheiro, entre tantas outras causas.


As consequências de falsos profetas

Pergunto-me para que serve um movimento como o Salvai Almas e tantos outros da Nova Era que afirmam o apocalipse em 2012? È óbvio que a simples passagem do tempo mostrará que eles estão todos errados. Quando 2013 chegar e eles virem que nada aconteceu, o que se passará em suas mentes? É aqui que reside o perigo das falsas doutrinas. Falsas profecias não se cumprem, e isso gera descrédito com relação à religião. Aqueles que agora crêem nas profecias do Cláudio (ou qualquer outro crente do apocalipse em 2012), em 2013 vão estar falando de sua decepção com a religião, de que “tudo nela é mentira”, porque se Cláudio estava mentindo, porque outros também não estarão? É isso que vão pensar. Tal é a consequência de se misturar verdade com mentira. A decepção com um falso profeta é projetada sobre toda a religião. Dessa forma os proponentes de falsas doutrinas - como a Nova Era - acabam conseguindo o que querem, afastar as pessoas das religiões tradicionais para aderir a essas “misturas” onde pode tudo e nada é verdade.


O que diz a Bíblia?

O Novo Testamento é muito claro contra os falsos profetas: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mateus, 7, 15).

O evangelista Mateus ainda nos conta que nos fins dos tempos iriam surgir muitos falsos profetas: “Igualmente hão de surgir falsos profetas, e enganarão a muitos [...]” (Mateus 24, 24).

Jesus foi bem claro sobre o fim do mundo. Ninguém sabe quando será o fim da presente história: “Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai” (Mateus 24, 36). Se nem os anjos e Filho sabem, Nossa Senhora também não. Portanto, não resta dúvida que não são dela as mensagens sobre o fim do mundo em 2012. O tempo por si só mostrará como estão errados, infelizmente muitos ficarão com sua fé abalada.

Mensagens como essas de que o Anticristo vai aparecer em 15 de fevereiro só servem para provocar medo nas pessoas. Cria um clima de terror psicológico, que algo terrível nos espreita. Todos perdemos com esse tipo de mentira, só ganha o pensamento da Nova Era. São esses que acham que 2012 é uma espécie de marco para um “novo tempo”, no qual as religiões tradicionais serão abolidas, dando lugar a uma “consciência superior”. Muitos da Nova Era também não acreditam num fim em 2012, mas num recomeço. E isso é preocupante, pois essa crença no reconheço se baseia na destruição das tradições, como o cristianismo.

Essa ação de certos setores organizados da sociedade em propagar pela mídia a mentira de 2012 e da Nova Era (através de filmes, documentários, programas de TV, músicas, livros, seitas) visa justamente acabar com as religiões tradicionais. São vários críticos que concordam comigo nesse ponto.


Todos que previram o fim do mundo falharam

Em uma matéria publicada em novembro de 2009 há uma relação de várias datas nas quais, segundo falsos profetas do passado, o mundo acabaria:

1000Quem e o que previu? Os teóricos do apocalipse disseram que o Juízo Final ocorreria 1000 anos após o nascimento de Cristo. O que aconteceu? Explicaram que a data certa era 1000 anos depois da morte de Cristo em 1033.
1524Quem e o que previu? Astrólogos previram que o fim do mundo começaria com a inundação de Londres em 1º de fevereiro. No dia, nem chuviscou. O que aconteceu? Disseram que houve um erro de cálculo de 100 anos. O certo era 1624.
1533Quem e o que previu? O astrólogo francês Pierre Turrel achou quatro datas para o fim do mundo: 1537, 1544, 1801 e 1814. O que aconteceu? Não se tem notícia de alguém que tenha errado mais.
1648Quem e o que previu? O judeu Sabbatai Zevi descobriu que ele mesmo era o Messias e viria em 1648. O que aconteceu? Mudou a data para 1666. Preso, converteu-se ao islamismo.
1736Quem e o que previu? O teólogo inglês William Whiston previu que o fim seria em Londres em 13 de outubro. O Rio Tâmisa ficou atulhado de barcos para fugir da inundação. O que aconteceu? De novo, nem choveu.
1843Quem e o que previu? O adventista William Miller anunciou o apocalipse para 3 de abril, depois 7 de julho, depois 21 de março de 1844 e, por fim, 22 de outubro. O que aconteceu? Viveu para ver totós os seus erros. Morreu cinco anos depois do fracasso da última previsão.
1881 - Quem e o que previu? Egiptólogos previram o começo do fim do mundo para 1881. O que aconteceu? Refizeram as contas, e deu 1936. Refizeram-nas outras vez, e deu 1953.
1914 - Quem e o que previu? Testemunhas de Jeová esperaram o cataclismo final para 1914; fracassara a previsão anterior, que indicara 1874. O que aconteceu? Fracassou também a previsão futura, para 1975.
1980Quem e o que previu? Um presságio astrológico árabe dizia que o mundo acabaria com Saturno e Júpter em conjunção com o signo de Libra a 9 graus, 29 minutos. O que aconteceu? Constatou-se que até a configuração astronômica estava errada.
1982Quem e o que previu? No livro O Efeito Júpter, astrônomos previram um cataclismo para 10 de março. O que aconteceu? Um dos autores disse que um terremoto em 1980 modificou o tal efeito.
1999Quem e o que previu? Diversas profecias previam o fim do mundo em 11 de agosto. O que aconteceu? Atribuíram o erro ao culpado de sempre: Nostradamus.
2000Quem e o que previu? Os teóricos do apocalipse disseram que o Juízo final ocorreria 2000 anos após o nascimento de Cristo. O que aconteceu? Explicaram que a data certa é 2000 anos após a morte de Cristo, em 2033 – e começamos tudo de novo... (adaptado da Revista Veja, edição 2137)

Referências

HAAS, Arnaldo. Entrevista a rádio Eldorado de Criciúma em 24/01/2012. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=bDPUCXonWas&feature=player_embedded acesso em 25/01/2012.

PETRY, André. O fim do mundo em 2012. Revista Veja, edição 2137, novembro de 2009, p. 90-99.

TENÓRIO, Pe. Marcelo. Sobre o “Movimento salvai almas”. Publicado em http://www.montfort.org.br/index.php/blog/noticias-comentarios-analises/sobre-o-movimento-salvai-almas/ Acesso em 27/01/2012

http://adventismoemfoco.wordpress.com/2009/06/21/o-falso-profeta-claudio-heckert/

http://www.fimdostempos.net/claudio.html

sábado, 21 de janeiro de 2012

O que é o Anticristo


Recentemente publiquei aqui sobre a figura do Anticristo. Localizei um vídeo bem instrutivo de Felipe Aquino, que é reconhecidamente um grande divulgador da doutrina cristã no Brasil na atualidade. Tudo o que ele diz não entra em contradição com meu artigo. Nesse ano que tanto alarde fazem sobre 2012, é uma ótima oportunidade ouvir quem fala com profundo embasamento teológico e grande sabedoria.

Clique aqui para vê-lo.

Leia mais: 2012: o ano do Anticristo?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Luíza volta do Canadá



Está notícia saiu no Jornal Hoje da Globo, a Luíza, uma jovem de 17, que ficou tão famosa no Facebook finalmente deixa o Canadá para regressar a sua casa no Brasil.

Trata-se do primeiro grande fenômeno do Facebook no Brasil, depois que esta rede social ultrapassou o Orkut em popularidade no Brasil. Essa história não deixa de ser engraçada, mas ela pode nos levar a uma reflexão mais profunda. O poder das redes sociais que divulgou brincadeiras como essas poderia ser usado também a temas que podem interferir na qualidade de nossa vida diária. Não digo que não devemos brincar na internet, se contamos piadas em momentos de descontração na “vida real” também é saudável na “vida virtual”. Vejo o fenômeno Luíza como um teste a internet, um teste muito positivo. Quero que você pense nisso. Aproveite o poder que a internet põe em suas mãos para denunciar as injustiças de seu bairro, seu município, em qualquer lugar. Brinquemos no espaço virtual, mas também que o usemos para falar e discutir ideias que interfiram em nossas vidas. Divulguemos notícias que a mídia corporativa censura em conluio com os governos e o capital.

Estamos no turning point da história, um pondo muito importante da trajetória humana. A internet nos conecta com o mundo todo, com um oceano de conhecimentos. Bibliotecas inteiras na tela do computador! De sua casa você pode acessar conhecimento científico de ponta lendo teses e artigos em formato digitais, e livros da Idade Média escaneados. É o conhecimento para todos finalmente. Isso nunca ocorreu antes na história. As inovações tecnológicas sempre levaram a revoluções culturais. A invenção a imprensa provocou a reforma protestante e o Renascimento. A pólvora, a bússola e o canhão lançaram a Europa ao colonialismo. Conquistaram o mundo porque tinham mais tecnologia que os outros, como os romanos que tinham a catapulta, destruidora de qualquer muralha, e com isso dominaram o Mediterrâneo.

Hoje a tecnologia está cada vez mais barata e popularizada. É dado a todos um novo tipo de poder. Temos que ter consciência disso, que é um fato muito importante. Qualquer um com uma câmera e um computador pode montar seu canal de TV e divulgar suas ideias! Isso é maravilhoso, uma democratização da informação jamais vista. De casa podemos conseguir material gratuito, estudar e tentar uma vida melhor, com forças próprias. Foi-nos dado o fruto do conhecimento, devemos agora usá-lo com sabedoria.

As tecnologias podem nos levar a uma democracia mais autêntica. Qualquer um pode filmar o funcionário público corrupto, o político que cobra propina e jogar isso na rede. Um simples celular pode derrubar um governo sujo. A tecnologia pode nos fazer agir mais corretamente, pode nos levar a uma nova ética. Espero que seja realmente assim.

Usemos a internet pela democracia, para a livre circulação de ideias e informação, para dialogar com formas diferentes de pensamento. Não podemos admitir que esse poder seja usado para o mal por parte daqueles que fazem tudo pelo poder. Não podemos admitir a instauração de governos autoritários, repressores. Na cúpula formada pelo Banco Mundial, FMI, ONU, OTAN e outros organismos internacionais, domina o pensamento de um governo mundial. Temos que usar esse poder da internet para lutar contra isso. Pesquise, leia. Não podemos admitir que a tecnologia seja usada por essa cúpula para vigiar e punir o cidadão correto que pensa por si próprio. Um governo mundial significa pensamento único, totalitarismo, ou seja, o fim de nossa liberdade. Usemos a internet contra esses caras que querem uma ditadura global, divulgando notícias relevantes sobre a sociedade mundial, ao mesmo tempo que, entre um gole de café e um clipe pop do YouTube, brincamos sobre o destino de Luíza.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

2012: o ano do Anticristo?



No final de 2009, um dia após sua estreia, fui ao cinema ver aquele filme que vinha causando tanto rumor há meses. Havia visto seu trailer e, de fato, me impressionei com a qualidade dos efeitos especiais, e ao ver o filme minhas expectativas se confirmaram. Era um show em efeitos especiais, mais perfeitos que Independence Day, filme que mais admirava até então nesse aspecto.

2012 para mim é só isso, mais um filme que impressiona pelos efeitos especiais. Só... Está ficando patético o modo como essa data está sendo tratada na mídia. Parece que realmente em muitos há a crença de que algo estranho vai acontecer nesse ano, um evento natural ou mesmo sobrenatural com repercussões globais. Se querem previsões, aqui vai a minha: nada disso vai acontecer. Pilhas de livros vêm sendo publicadas sobre esse ano, milhares de sites exotéricos e conspiratórios, outras tantas centenas de horas de filmes no You Tube. Esse é sem dúvidas o grande assunto desde 2009, quando se começou a falar do fim do mundo na mídia. Há até site católico seguindo a moda do pessoal da Nova Era, os principais divulgadores do apocalipse em 2012. Nele tem até um relógio com a contagem regressiva para a data da aparição do Anticristo; dizem será em 15 de fevereiro próximo. Nada mais absurdo e ilógico. Na era da ciência e da razão, é impressionante como significativas partes da sociedade regridem a era do mito, das lendas e dos messias. Uns crêem que 2012 é o ano da volta do Cristo, outros que é o do aparecimento do Anticristo. Eu não creio nem numa coisa nem noutra. Jesus mesmo disse que ninguém sabe o dia de sua volta, só Deus o conhece. Muito menos podemos saber quando o Anticristo virá.

Na verdade o Anticristo já está aí, em toda parte. Toda decadência que se vive nos dias atuais – moral, artística, religiosa, econômica, política, educacional, familiar – são Anticristos. Não precisamos esperar que um ditador global venha trazer a desgraça ao mundo todo. O Mal já está entre nós; o mal está no seio do ser humano. Somos livres, e conscientes para fazer o bem e o mal. Os Anticristos nascem das ações negativas que praticamos, que no nível macro causam fomes, misérias, guerras... no micro assassinatos, divórcios, traições, mentiras, calúnias. O mal está no coração humano e dele se expande a todo o mundo; da mesma forma que em todos também há o bem, que se cultivado com mais atenção e amor, vence o mal e cria a justiça na Terra e a prosperidade pessoal, o Reino dos Céus, o paraíso. Anticristo e salvação não são coisas transcendentais, místicas.

O Céu ou o Inferno são realidades construídas por ações concretas. Cada um constrói aqui e agora seu futuro, que será bom ou ruim em virtude de escolhas. Disso não posso crer num fim do mundo. Ele já acabou e recomeçou inúmeras vezes. Quando o Império Romano caiu acharam que era o fim, mas não foi. Quando estouraram as guerras mundiais achavam que então seria o ponto final da história, e continuamos... estamos aqui. Todos – literalmente todos – que tentaram marcar data para o fim do mundo falharam em 100% dos casos, e a história humana continuou, apesar dos protestos, e continuará sempre.

Os cristãos do primeiro século pensavam que o fim do mundo era muito próximo, que aquela geração ainda veria a volta de Jesus. Os protestantes radicais dos séculos XIX e XX marcaram várias datas para o fim do mundo a volta do messias, e até hoje nada... Jesus foi bem claro: “não marquem data para minha volta, só Deus sabe o dia”. Deus não tem uma data para agir, ele sempre trabalha, como diz o Evangelho. Deus não acabará com a história humana, Ele a fará perdurar para a eternidade. O Espírito Humano não conhece limites, é essencialmente livre, e essas suas qualidades levará a humanidade a uma contínua evolução, que não conhece barreiras. A humanidade guiada por Deus continuará a construir seu destino, evoluirá sempre para uma etapa superior. Uma fascinante história sem roteiro ou caminho pré-determinado nos espera, e tenho certeza que será melhor que nossa atual condição, melhor que tudo que possamos esperar. O verdadeiro espírito cristão, ao encarar a história humana, é o de otimismo. Cremos que o homem pode mais, e seguindo a Deus perdurará para sempre.

Por isso 2012 é só mais um ano qualquer. Se algo diferente ocorrer será obra de loucos, como foi o 11 de setembro, e não por vontade da natureza, do cosmo, ou da Divindade. Mas se ocorrer, passará, e nossos filhos ainda continuarão por aqui para continuar a história.