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terça-feira, 5 de junho de 2012

Lula: o crepúsculo esquizofrênico de uma vida

Antonio Pinho



Para mim, nas últimas semanas, nada é mais patético do que ver a figura de Lula, careca e com seu bigode ralo, em virtude de seu tratamento contra o câncer da laringe. Sua figura abatida denuncia uma vida em seu crepúsculo. Porém, parece que Lula ainda não se deu conta de sua tragédia pessoal. Ele morrerá, não sei quando, e entrará para os anais da história do Brasil como o presidente do governo mais corrupto da república. Nada é mais certo que isso, em se tratando de política brasileira.
Lula não caiu em si, o que não é de se espantar. Admitiu, na entrevista que deu ao Ratinho, que quer ser candidato à presidente, nas próximas eleições. Isso já era mais que evidente quando Dilma foi ungida pelo Chefão todo poderoso do PT, para ocupar interinamente a cadeira presidencial, até a volta triunfal do messias sindicalista, na qual ele sonha governar por mais 8 anos, tempo no qual preparará um novo líder carismático e comunista para assumir o Brasil.
Nos anos 80, o PT já tinha claramente o plano de chegar a qualquer custo à presidência do Brasil, e uma vez lá, nunca mais aceitariam sair, governando a nação até o apocalipse. Depois de sua aliança definitiva com Fidel Castro, com a fundação do Foro de São Paulo – o Bilderberg latino-americano –, no início dos anos 90, o roteiro da tragédia já estava escrito.
Na entrevista que deu ao Ratinho, Lula falou sem medir palavras: “Não vou permitir que os tucanos voltem ao poder”. Como assim ele não vai permitir?  Quem é você agora, Lula? Você é só mais um cidadão, com direitos totalmente iguais a mim ou a qualquer cidadão. Quem vai decidir se a direita vai voltar ao poder nas próximas eleições é o povo, e não você.
Isso é mais que óbvio. Mas o Chefão está desesperado, está “atirando para tudo que é lado”, como diz a sabedoria popular. Inventa uma CPI para destruir a oposição, e pressiona o SFT, tudo para impedir o julgamento da quadrilha do senhor José Dirceu e Cia.
Não vejo o porquê de tanta preocupação de Lula com a oposição atual, ou com o PSDB, para ser mais claro. A oposição tem tido, nos dois últimos anos, uma atuação muito tímida, para não dizer inaudível. O máximo que conseguem é 5 segundos de uma declaração do senador Álvaro Dias, no Jornal Nacional, e mais nada.     
Precisados de uma ação mais dura por parte da direita. Qualquer jornalista investigativo, com o apoio de uma grande revista ou jornal conservador, que se concentrasse em investigar as relações entre o PT e a construtora Delta, iria revelar a nação um escândalo de proporções bem maiores que o mensalão. Basta fazer um pouquinho de força, levantar o tapete, que a sujeira sairá por conta própria, e mostrará a todo o Brasil a verdadeira face podre do PT e do governo Dilma.
Mas enquanto a democracia brasileira é desmontada aos olhos de todos, para a instauração de um comunismo ao gosto de Hugo Chávez, a direita nada faz de concreto. A missão dos conservadores, neste momento, é salvaguardar a democracia e a liberdade de expressão. Para tanto medidas mais duras devem ser tomadas, para que um governo conservador suceda Dilma daqui há dois anos e meio.
Diante do crítico estado de coisas que enfrentamos hoje, sobra uma esperança: saber que Lula, estando “mais pra lá do que pra cá”, não vai ter condições para governar por mais 8 anos.
Ufa! Ainda bem...      

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Moralidade e engenharia social: a aceitação do homossexualismo na sociedade

Antonio Pinho
Num artigo recente, Júlio Severo cita o fato de que, em vários estados dos EUA, desde 1998, a questão do casamento gay foi levada às urnas 31 vezes ao todo. O que chama a atenção é que em todas as vezes os ativistas gays perderam nas urnas. O povo majoritariamente se manifestou contra a união homossexual. Severo ainda cita um outro número interessante: o casamento gay é ilegal em 38 estados.
Os ativistas gays, para defender sua ideologia, sempre gostam de citar Grécia e Roma como idílicos tempos em que o homossexualismo era aceito em sociedade. Esquecem que na antiguidade clássica podia se tolerar o homossexualismo, em certos meios, mas jamais houve casamento gay, ou a intromissão do estado nessas questões, aprovando leis sobre uniões homossexuais. Por acaso, em nenhuma sociedade no passado houve a institucionalização de união homossexual com igual status de uniões heterossexuais. O que sempre houve foram práticas homossexuais, dentre elas a pedofilia, que claramente é um crime grave contra o menor.
Era comum ao senhor romano manter um jovem em sua casa e ter relações sexuais com ele. Mas não era por essa relação homossexual que o senhor romano deixava de ter sua esposa. Nas sociedades greco-romanas, por questões de ordem religiosa, de acordo com a magnífica obra de Coulanges sobre a sociedade greco-romana, A cidade antiga, o casamento era obrigatório ao homem. Nessas sociedades havia o culto aos espíritos dos antepassados – que eram adorados como verdadeiros deuses familiares. Um homem deveria deixar herdeiros para que seu espírito e os espíritos de seus ancestrais também fossem adorados. Na concepção da época, a felicidade da alma após a morte dependia dos sacrifícios oferecidos pelos descendentes, no túmulo da família. Dessa forma, não deixar descendentes implicava quase como que na extinção de uma religião, pois toda família possuía seus próprios deuses – os antepassados – e rituais específicos. Quem não tivesse filho estaria fadado a ser um espírito infeliz – e condenaria seus antepassados –, porque não existiria mais alguém para lhes prestar culto, e oferecer os sacrifícios. Portanto, não havia a menor possibilidade de um homem “casar” com outro homem, deixando de ter uma esposa, que lhe daria descendentes. Como foi afirmado, havia relações homossexuais, mas estas ocorriam num contexto fora do casamento heterossexual comum.
Com o fim da era pagã e a cristianização do antigo Império Romano, a prática homossexual – além de ser marginal ao casamento heterossexual – passou a não ser mais aceitável, justamente em virtude das leis mosaicas, ou mesmo dos ensinamentos do Novo Testamento. A carta de São Paulo aos romanos é enfática na crítica ao comportamento homossexual, amplamente difundido na Roma do século I d.C..
Nesse ponto é importante destacar que há uma diferença entre homossexualidade e homossexualismo. A homossexualidade é a atração de uma pessoa por outra do mesmo sexo, comportamento que contraria a maioria dos indivíduos que, ao contrário, se atraem sexualmente pelo sexo oposto. Naturalmente, as pessoas na grande maioria são movidas pelo natural impulso (mesmo que inconsciente) da reprodução.
O homossexualismo, por outro lado, tem a mesma natureza dos outros “ismos”, pois é a utilização para fins políticos da homossexualidade. É um movimento que – sem uma leitura objetiva da história das civilizações – cria pretensos “direitos gays”, e se utilizam de lobby político para leis anti-homofobia e casamento gay.
A atividade do movimento homossexual começa por deformar o vocabulário da língua, criando o termo homofobia. Com essa deturpação da língua, passam a rotular de homofóbico todo aquele que não concordar com a agenda dos movimentos gays. Por isso, é necessário separar as coisas. Uma coisa é agredir e matar uma pessoa por aversão a sua homossexualidade, outra completamente diferente é ser contrário a ideologia do movimento homossexual. Não se pode colocar tudo no mesmo saco. Ser contrário a agenda ideológica do homossexualismo é uma postura política válida, o que é garantia constitucional; por outro lado, agredir e matar gays são um crime já punível pelo atual Código Penal. Portanto não há sentido em se criar leis anti-homofobia, pois a agressão física e assassinato – seja de um gay ou de um heterossexual – são crimes. E ocorre que no Brasil efetivamente não há crimes contra gays em quantidade que justifiquem tamanhos gastos em ONGs, e tanta pressão política. Se há casos – eu particularmente não os conheço -, são fatos muito isolados, fruto de psicopatologias de alguns indivíduos. É fato que no Brasil há uma histórica tolerância sexual, ao contrário dos países mulçumanos, em que realmente se mata quem for pego em ato sexual com pessoa do mesmo sexo. Em nações mulçumanas até que um movimento por mudanças sociais se justifica, mas este deveria ser na defesa de todos os direitos humanos, e não de apenas de um grupo, que briga por um tratamento especial das leis.
Certa vez escrevi que há temas muito mais urgentes para uma discussão no Brasil do que a agenda do movimento homossexual, tais como as lutas por mais verbas utilizadas sem corrupção na educação e saúde, leis mais rígidas contra a corrupção, o tráfico de drogas, a pedofilia, etc. São inúmeras as questões que merecem um democrático debate público. E diante de tais questões, a causa gay toma proporções ínfimas de relevância social, sem dizer que os pressupostos básicos sobre os quais se apoia são falsos, como tenho demonstrado aqui.
Para que se façam leis para defender a agenda gay, numa democracia, primeiramente é necessária a aprovação popular. Porém, como afirmou Júlio Severo, no artigo que citei no início, os americanos têm se mostrado majoritariamente contrários a agenda do ativismo gay. Mas o ativismo não se importa com a opinião da maioria, porque estão convictos que estão com a verdade absoluta sobre a natureza da família e da moral. São os outros que estão errados, por isso tudo é valido para que sua visão das coisas prevaleça. É dessa maneira que se fecham ao diálogo e a aceitação a vontade da maioria, partindo para a guerra cultural. Esta, obviamente, é feita com a arma poderosa da mídia.  Como disse Júlio Severo,   

“os meios de comunicação se enxergam com a missão de saturar a mente de suas audiências com imagens positivas das pretensões gays, de modo que o público se acostume tanto com o homossexualismo que, cedo ou tarde, expressará, nas urnas e outros lugares, apoio a esse comportamento.”

Após ler o artigo de Júlio Severo, acabei me deparando com uma entrevista publicada na Veja, de Jonathan Gottschall, que é professor universitário de literatura inglesa nos EUA. Fiquei impressionado com uma de suas respostas sobre o efeito da ficção na sociedade:

“Diversos estudos foram feitos sobre o poder da ficção nas atitudes e no comportamento das pessoas. Essas pesquisas avaliam as percepções de participantes contrários e favoráveis a uma determinada causa polêmica, como aborto ou a pena de morte. Os dois grupos lêem textos de ficção ou não ficção sobre um mesmo assunto e com conteúdo similar. Na maioria dos estudos, as pessoas que leem textos de ficção mudam de opinião com muito mais facilidade do que as expostas a histórias reais. Absortos em histórias fictícias, os indivíduos tendem a baixar a guarda, deixam seus preconceitos de lado. Varrem a dose de ceticismo que têm sobre determinado assunto para debaixo do tapete e tornam-se mais receptivos a crenças contrárias às suas. Colocam-se no papel do personagem principal e vivenciam seus dramas e problemas. Um exemplo recente aconteceu nos Estados Unidos. Os americanos sempre foram contrários ao homossexualismo e ao casamento gay. Nos últimos quinze anos a situação se inverteu. Os cientistas sociais não entendiam a velocidade da transformação. Afinal, concepções dessa natureza não mudam tão rapidamente. A justificativa encontrada pelos sociólogos foi a proliferação de programas, séries de TV e novelas sobre o universo gay, com personagens homossexuais, como Will & Grace e Modern Family. O fato é que sempre pensamos na ficção como forma de escapismo. Mas uma história não só produz entretenimento, ela também nos molda e é capaz, inclusive, de interferir nos acontecimentos históricos.”

O que Gottschall descreve abre as portas para perguntarmos se essa mudança de mentalidade é um movimento natural da sociedade, ou um fenômeno planejado. Gottschall não diz se há ou não um planejamento dessa mudança de mentalidade nos EUA. Se a mídia fosse patrocinada diretamente por seu público, e se ela estivesse nas mãos de muitas pessoas, poderíamos crer na espontaneidade da mudança social da aceitação da homossexualidade e da abertura de maior espaço a programas gays na TV. Contudo, toda grande mídia americana está nas mãos de meia dúzia de pessoas. Ou seja, basta uma reunião dessas seis pessoas para que se definam os conteúdos de séries e novelas, ou uma pressão dos grandes anunciantes sobre os donos da mídia por um enfoque maior a certos temas, como, neste caso, a homossexualidade. São a meia dúzia dos donos da mídia e o poder econômico que a sustenta que estão promovendo uma engenharia social, com vistas a mudar a mentalidade das novas gerações, porque as mudanças de padrões comportamentais e valores são geracionais. É fato notório e amplamente aceito entre os especialistas que as elites econômicas estão se utilizando da mídia, principalmente a TV, como meio de aplicar as técnicas de engenharia social desenvolvidas ao longo do século XX.
A psicologia comportamental mostrou que estímulos positivos fazem muito mais efeitos que estímulos negativos no condicionamento de padrões de comportamento. Ou seja, é melhor dar um chocolate a uma criança, para que estude mais, de que de bater nela. O estímulo positivo tem a vantagem de não resultar em comportamento agressivo por parte do sujeito que passa pelo condicionamento. O condicionamento pela mídia é terrivelmente cruel, para não dizer criminoso, pois as vítimas – que somos todos nós – muito raramente vão ter consciência de que estão sendo treinadas a ter certos tipos de comportamento, em detrimento de outros. Ainda mais, a vítima crê fielmente que sua visão de mundo é realmente sua, e não que foi planejada e implantada em sua mente por sofisticadas técnicas de psicologia comportamental, aplicada como arma de engenharia social, melhor dizendo, como arma de manipulação inconsciente da população.  
De posse do conhecimento científico, as elites, formadas principalmente por donos de empresas internacionais de mídia e banqueiros, promovem por meio de novelas, seriados e clipes musicais toda sorte de valores anticristãos. Essa é uma mudança de tática da mente revolucionária. Os métodos violentos aplicados pelo comunismo durante o século XX, que eram estímulos negativos, foram falhos em sua meta de destruir a civilização cristã ocidental, baseada em soberanias nacionais.
Os movimentos revolucionários são globalistas. Sua ação é pela instauração de um governo mundial não democrático, com poder centralizado nas mãos dos banqueiros internacionais, para chegar a tal objetivo chegaram a conclusão de que o cristianismo é uma barreira para a concretização da sociedade que planejaram para o futuro.
Como demonstra Antony Sutton em Wall Street e os Bolcheviques, foram os banqueiros internacionais que financiaram a Revolução Russa de 1917. Hoje também é sabido que a Revolução Francesa foi planejada e financiada pela elite dos banqueiros europeus, e não foi um movimento popular e espontâneo, como dá a entender a história oficial.  
A agenda do ativismo gay é, portanto, mais uma das faces do movimento revolucionário mundial, que conta com vultosos recursos de fundações internacionais mantidas por bancos e empresas multinacionais, recursos financeiros que são empregados na criação de ONGs. Estas, por sua vez, com abundantes verbas e recursos humanos (principalmente entre a elite intelectual e artística) – mobilizados por meia da ação da mídia – que pressionam os políticos para as mudanças legais, e promovem paradas gays em todas as grandes nações ocidentais. Com toda a máquina midiática nas mãos, o movimento revolucionário encontra um meio mais sutil e não violento da modificação dos valores do povo. Isso nada mais é do que uma luta silenciosa – por não ser uma guerra abertamente declarada –, mais muitas vezes explícita, contra a própria religião cristã.
O que demonstra o caráter anticristão do ativismo gay é a luta pela criação de leis que punam a homofobia, um conceito este que em si já é problemático. Porque, como definir objetivamente a homofobia? Seria qualquer manifestação pública de uma simples opinião contrária a prática da homossexualidade? Sim, é isso mesmo. Ocorre que o alvo dessa lei não é a defesa dos gays, como pensam os homossexuais, eles são apenas instrumentos que atuam inconscientemente num processo muito maior e mais complexo, que no limite se trata da destruição gradual da civilização ocidental baseada do cristianismo, e não da construção de uma “sociedade plural” como dizem. Como podem os ativistas gays lutar por uma “sociedade plural”, se eles próprios não toleram a existência de opiniões divergentes? O alvo das leis anti-homofobia são claramente padres e pastores, pois tais leis impõem censura sobre a abordagem de determinados temas, mais especificamente a pregação integral da moral cristã. Se os grupos defensores do homossexualismo atingirem seus objetivos, nada mais faltará para que se iniciem a prisão de religiosos. As leis anti-homofobia destroem duas bases sobre as quais repousam os valores democráticos: a liberdade religiosa e a liberdade de opinião.
É mais que óbvia a consequência da ação de grupos que se usam de um comportamento de foro íntimo, que é a sexualidade, como arma política: a perseguição religiosa. É o fim da liberdade do indivíduo e o nascimento de um estado todo poderoso, definidor das verdades nas quais os cidadãos devem crer. É terrível chegar à conclusão de leis dessa natureza – casamento gay e anti-homofobia – podem causar um efeito dominó, que culmina do desmoronamento completo da democracia. Isso demonstra o alto nível de planejamento e sofisticação dos engenheiros sociais que estão na origem disso tudo.
O uso da intimidade pessoal como arma política é claro sintoma de uma mentalidade totalitária, que vê na intervenção do estado sobre a privacidade dos indivíduos como meio de controle e coerção de atitudes e entidades indesejadas pela elite defensora de uma nova ordem utópica para o mundo, cujos traços gerais jamais foram vistos em alguma sociedade do passado. Uma ordem nova, portanto, formada por valores totalmente antinaturais. Porque, se os valores dessa nova ordem utópica fossem os melhores ao homem (e de acordo com sua natureza), o natural desenvolvimento da humanidade já teria chegado a esse estado de coisas tão sonhado pela elite que se pensa iluminada, detentora única do melhor modelo de sociedade para todos. Se a utopia da república mundial é o melhor caminho para a humanidade, porque seus proponentes agem sempre nos bastidores do poder, em segredo, ocultando tudo ao povo? 
Fontes:
COULANGES, Fustel de. A cidade antiga. São Paulo: Ediouro, s.d..
GOTTSCHALL, Jonathan. Entrevista. Veja, edição 2268, 9 de maio de 2012.  
SEVERO, Júlio. Derrota gay: o poder do povo diante do poder tirânico das elites. Mídia Sem Máscara, 9 de maio de 2012. Disponível em: http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/estados-unidos/13044-derrota-gay-o-poder-do-povo-diante-do-poder-tiranico-das-elites.html

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Argentina legaliza eutanásia

Antonio Pinho
O Senado da Argentina aprovou por unanimidade nesta quarta-feira uma lei que permite aos familiares recusarem tratamentos médicos que mantenham a vida de pacientes de forma artificial, em quadros irreversíveis ou terminais.
A chamada "Lei da Morte Digna" era pedida por familiares de pessoas em estado vegetativo e foi aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados por ampla maioria (142 votos contra seis).
Com a medida, os pacientes terminais têm o direito de recusar tratamentos que mantenham a vida artificialmente sem que os familiares ou profissionais recebam qualquer penalização. Para tanto, deverá manifestar sua vontade durante a internação ou deixar uma declaração por escrito.
Caso o paciente não possa se expressar pela condição médica, parentes ou responsáveis legais poderão tomar a decisão. A autorização só serve para casos irreversíveis ou terminais, de modo que a eutanásia e o auxílio ao suicídio ainda são considerados crimes na Argentina.
A sessão na câmara alta do Legislativo argentino foi acompanhada por pais e familiares de parentes nessas condições, incluindo Silvia Herbón, mãe de Camila, 3, que nasceu morta e vive desde então respirando por aparelhos. O caso da menina serviu de motivo para o projeto, apresentado em agosto no Congresso. Fonte: Folha de São Paulo

Os países controlados pelo Foro de São Paulo estão sofrendo, explicitamente, a desmontagem de suas já frágeis bases democráticas. Além disso, temos na América Latina uma maioria cristã católica, que é claramente contrária a leis como esta que legaliza a eutanásia, ou mesmo leis abortistas e gayzistas. Mas ocorre que os comunistas do Foro de São Paulo, que não são cristãos ou aderem à heresia católica da Teologia da Libertação, não respeitam os valores democráticos, como também não ouvem os anseios da população.

Infelizmente, a legalização da eutanásia e a total liberação do aborto, que será feito com verbas públicas, é defendida pelos comandantes do PT, que é inclusive integrante fundador do Foro de São Paulo. Todas essas leis contrárias a moral cristã estão na agenda do Foro de São Paulo, portanto, na agenda petista. Ou seja, mais cedo ou mais tarde, é possível até que, numa ação totalmente ilegal, o STF legisle – como tem feito regularmente - sobre essas questões, mesmo que isso contrarie a vontade da maior parte população civil. Assim, se nada for feito por parte dos conservadores, assistiremos ao golpe final sobre as democracias da América Latina. Hoje vemos o seu crepúsculo, e, pelo andar dos acontecimentos, a noite não tarda a chegar.  

Os advogados do laicismo podem papaguear afirmando que o estado é laico. Apesar do Estado, acertadamente, ser separado da Igreja, isso não anula o fato de que as pessoas, que formam a nação, possuem em privado suas crenças religiosas (ora, a nação não é seu povo?), e são as religiões que formam os códigos morais e éticos das pessoas, que por sua vez, nos postos de comando, legislam de acordo com os valores defendidos pela maioria da população civil. Por exemplo, as leis ocidentais têm claramente uma inspiração cristã, pois aqueles que fizeram as leis eram cristãos. Se observarmos as nações de maioria mulçumana, lá as leis são inspiradas em interpretações do Corão. Por mais que os laicistas falem, são assim que as coisas ocorrem. Entretanto, quando elites comunistas não cristãs assumem o poder pela força, ou pela infiltração, o que sempre se assiste é uma luta contra a liberdade dos cidadãos de professarem suas crenças, que no fundo é uma luta tirânica contra os próprios valores democráticos, ou melhor, contra a própria religião, em especial, contra o cristianismo.

Como todas as tentativas de atacar o cristianismo diretamente sempre falharam – como matar padres e leigos fieis -, agora a tática do comunismo internacional é lutar contra os valores cristãos: a família, a liberdade, o direito básico à vida, etc.    

Para saber mais sobre o Foro de São Paulo clique aqui.

As Atas do Foro de São Paulo podem ser baixadas na Biblioteca Digital do blog Juventude Conservadora da UFSC.

Texto originalmente publicado em Juventude Conservadora da UFSC

sexta-feira, 27 de abril de 2012

As cotas raciais e a falência do Estado democrático

Antonio Pinho

Na manhã do infeliz dia 27 de abril de 2012, ao acordar ligo o rádio e ouço a notícia de que o Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar uma ação de inconstitucionalidade promovida pelo partido Democratas contra as cotas raciais da UNB, julgou constitucional que negros devem ter um estatuto privilegiado nos vestibulares. Ou seja, temos agora um grupo de brasileiros que, por causa de sua cor, ganha benefícios do Estado.
Pergunto-me sobre a seguinte situação. É justo que um negro de classe média alta seja beneficiado por cotas no vestibular, enquanto os brancos pobres não tenham acesso ao mesmo “direito”? No caso que dois vestibulandos, um negro de classe média alta e um branco pobre, concorram por uma vaga em universidade pública, e tirem a mesma nota, o negro terá sua vaga, enquanto o branco pobre terá de interromper seus estudos, o que enterra sua única possibilidade de tentar ascender socialmente. Isso é justo? Obviamente que não. Mas é isso que todo ano ocorre nas universidades que adotam as cotas raciais.
Tenho um amigo muito próximo, um jovem branco e pobre, que recentemente fez vestibular para a UFSC. Para sua infelicidade não se classificou, mesmo tirando boa nota. Ele me relatou que um colega seu do ensino médio, negro, tirou praticamente a mesma nota, para o mesmo curso na UFSC, e foi aprovado. Agora, enquanto seu colega negro está estudando em uma boa universidade pública, meu amigo é obrigado a ter que trabalhar para se sustentar, ganhando o piso salarial. O pior é que, por enquanto, meu amigo não tem recursos para pagar para estudar em uma universidade privada. Torço por meu amigo, para que um dia ele realize seu sonho de frequentar uma universidade pública.
Eu mesmo senti-me discriminado pelas afirmações, nem um pouco científicas, sobre o passado histórico do Brasil. Sou descendente de quarta geração de portugueses, do lado paterno, e do lado materno também descendo de portugueses. Não me constranjo de minhas origens, muito pelo contrário, orgulho-me. Meus ancestrais no Brasil trabalharam duro no Sul para ajudar a construir esta nação. Meu bisavô, inclusive, no final do século XIX, tinha alguns poucos escravos em sua pequena propriedade rural. Meu pai me contou que meu bisavô era conhecido na região onde morava por ser muito bondoso com seus escravos. Os negros gostavam de trabalhar para ele porque eram tratados dignamente, não sofrendo nenhuma espécie de violência física.
Agora o STF reescreve a história e demoniza os antigos escravocratas como a personificação do mal absoluto, como se todo proprietário de escravos fosse essencialmente cruel no relacionamento com seus negros. Esse imaginário do senhor de escravo cruel foi sendo progressivamente construído, porém não tem embasamento histórico. Iniciou mesmo no século XIX, durante o romantismo brasileiro. O romance A escrava Isaura de Bernardo Guimarães, por exemplo, pinta Leôncio, vilão e o dono de Isaura, como um homem totalmente insano, disposto a tudo, inclusive a destruir seu patrimônio, para poder possuir sexualmente sua famosa escrava branca. Com as adaptações televisivas desse romance, mais a atuação de ONGs demagógicas, reescreveu-se a história do Brasil, demonizando todos os antigos senhores de escravos, criando o mito da contemporânea segregação racial brasileira. A própria história de meus antepassados portugueses é mais um entre tantos outros indícios da mentirosa história que nos é contada. No Brasil do tempo da escravidão, apesar dos excessos que não devem ser escondidos, o negro livre tinha os mesmos direitos que o branco.
Nossa história antiga está repleta de negros políticos, padres, professores e intelectuais. Machado de Assis é o maior exemplo. Nosso maior escritor era negro. Lima Barreto, outro grande escritor, também era negro. Ainda no início do século XX tivemos nosso primeiro presidente negro, Nilo Peçanha. A trajetória desses e tantos outros brasileiros demonstra que, historicamente, o preconceito no Brasil é muito mais social que racial. No país do carnaval o pobre sempre foi discriminado, seja branco ou negro. Lembremos a famosa frase do personagem Caco Antibes, do programa Sai de Baixo, que se orgulhava em dizer que era um branco louro príncipe dinamarquês: “Eu tenho horror a pobre”. Usando o humor, o ator Miguel Falabella mostrou ao Brasil, durante anos, como é grande o preconceito social. O negro rico e com elevada escolarização não é alvo de casos extremados de preconceito racial. Outro fator que demonstra o baixo (até ínfimo) nível de preconceito na sociedade brasileira, é o grande percentual de miscigenação. Ao longo da história do Brasil são inúmeros os casos de casamentos inter-raciais. Os colonos portugueses não sentiam repulsa em casar com uma negra, mulata ao indígena. O próprio Machado de Assis em pleno século XIX casou com uma mulher branca. A grande miscigenação dos brasileiros é mais uma barreira para a política de cotas. Como definir quem é ou não negro ou índio? Já que a maior parte dos brasileiros tem traços genéticos de negros, brancos e índios misturados.
Por outro lado é a própria biologia quem afirma que não há raças humanas, mas apenas uma única raça. As variações de cor de pele e olhos, tipo de cabelo, formato de crânio e nariz são determinadas por diferenças genéticas muito pequenas, que não bastam para dizer que há mais de uma raça humana.       
Ao contrário das antigas colônias portuguesas, a colonização inglesa foi muito mais cruel com os negros. Nos EUA até os anos 60 do século XX, havia um regime de segregação racial, no qual os negros claramente não tinham os mesmos direitos que os brancos. Esse preconceito racial apesar de ter se reduzido um pouco, ainda é muito presente na sociedade americana. Outra colônia inglesa, a África do Sul, só viu seu sistema de segregação racial acabar muito recentemente, no início dos anos 90 do século passado. Esse sistema de drástica separação de etnias encontra origem no fato de que  colono inglês nunca aceitou ter relações sexuais com negras, ao contrário dos portugueses. Enquanto no Brasil, desde o início de sua colonização, o negro nascido de pais livres, ou que fosse alforriado, tinha os mesmos direitos que um branco.
Não estou aqui querendo defender a escravidão, que não é uma instituição aceitável, mas a verdade histórica não pode ser calada. Realidades diferentes devem ser analisadas de modo distinto. É fato que tanto nos EUA quanto no Brasil houve escravidão, mas nesses dois países a escravidão teve características sociais totalmente diferentes. Como acabei de mencionar, nos EUA de até os anos 60 o negro não era formalmente um escravo, mas jamais teria acesso aos mesmos direitos que um branco. Ao passo que no Brasil de todas as épocas, não importava se a raça era branca ou negra, qualquer homem livre tinha os mesmos direitos.
Os senhores do STF, mesmo sendo bem mais velhos que eu, parecem desconhecer a história social do Brasil. Parecem que desconhecem a própria constituição. Eles julgaram a ação movida delo Democratas, não em relação à constituição brasileira, mas em relação às suas convicções pessoais, o que não é correto. Por essa ação ilegal e tantas outras cometidas atualmente, o atual STF perdeu sua legitimidade, como instituição democrática. O STF está tomado por agentes esquerdistas que estão gradativamente desmontando o Estado democrático de direito, para a instauração de uma ditadura comunista. O STF perdeu sua legitimidade, pois a atuação de um juiz do Supremo – como qualquer outro juiz – deve ser pautada por questões técnicas, e não por convicções ideológicas ou filosóficas. Ora, a constituição afirma sem margem para dúvidas que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição” (art. 5º, § I). Portanto, é claramente anticonstitucional qualquer medida que crie um sistema de desigualdades raciais, dando privilégios a certas etnias. Mas os senhores juízes do STF parecem mais analfabetos em história, e o pior, desconhecem a natureza da carta magna da Nação.
No segundo dia do julgamento do STF, dois índios foram expulsos da sessão por causar um pequeno tumulto enquanto protestavam. Esses dois índios querem também suas cotas. E pela lógica do STF, estão certos, porque se os negros têm cotas, os índios também devem ter. Mas para haver justiça deveríamos dar cotas a judeus, chineses, japoneses, alemães, polacos, italianos, espanhóis, portugueses, etc. Se damos cotas a uma etnia, temos que dar cotas a todas, para haver democracia. Se for assim, eu apoio o protesto do índio, já que contam que em algum ponto da árvore genealógica de minha família, um português casou com uma índia. Ainda não confirmei essa história, mas se eu for descendente de indígena – como a maioria dos brasileiros – também quero minha cota. Não, pensando bem não seria justo a outras etnias, seria um tiro contra a lógica e o bom senso. Além do mais, mesmo sendo estudante de escola pública de um bairro de classe média baixa e de pobres, não precisei de cotas na hora do vestibular.
A última atitude do STF é claramente antidemocrática, pois gera desigualdades entre iguais. É um atentado contra a constituição, e contra a própria educação, pois o ensino superior numa faculdade pública deve ser voltado para os mais capacitados intelectualmente, seja qual for sua cor, raça ou religião. A universidade existe para gerar cultura e ciência, e não para ser motivo de divisão racial e polêmica, descriminando o branco pobre.   
Diante de tantas arbitrariedades que o STF tem cometido nos últimos anos, tenho medo de saber qual será a próxima. Esperemos para ver.  
    

quinta-feira, 26 de abril de 2012

As duas cidades de Santo Agostinho


Antonio Pinho

O marxismo define a história como um perpétuo conflito de classes: a burguesia e o proletariado, numa luta por dominação dos mais pobres pelos mais ricos. A retórica comunista pode parecer atraente, porém é falha. Os fatos da história comprovam como a teoria sócio-econômica de Marx está errada. Sempre que se colocou o marxismo em prática nas sociedades tivemos perseguição religiosa e mortes. Estima-se que o comunismo desde que foi criado tenha sido o responsável por mais de 100 milhões de mortes no mundo todo. Por esse simples cálculo, não sou comunista. Prefiro crer naquEle que trouxe a vida e a verdade para este mundo, e não naqueles que só trazem a morte e a mentira. Creio em Cristo, que é o Caminho a vida e a encarnação da Verdade.

Santo Agostinho, no livro A Cidade de Deus, por sua vez, fala de outro conflito. Esse é um conflito muito real e palpável: o conflito entre o bem e o mal. É a guerra entre a civitas Dei e a civitas diaboli, que em latim significa a cidade de Deus e a cidade do diabo. No presente, essas duas cidades convivem como que misturadas, porém os cristãos sabem que Deus resgatará a sua Cidade para a eternidade e destruirá de uma vez por todas a cidade do diabo.

Mas o que caracterizaria uma e outra cidade? É surpreendente como Santo Agostinho nos afirma que as duas cidades são movidas por uma única coisa: o amor. Ou melhor, dois amores totalmente opostos, inconciliáveis desde o princípio dos tempos.     

A cidade do diabo é movida pelo amor ao presente, ao mesmo tempo que gera um ódio pela eternidade, pelas coisas dividas, por Deus. É esse amor que leva ao amor extremado por si mesmo, que resulta no individualismo, o qual se esquece do próximo necessitado, que jaz na miséria e morre de fome. É esse amor o amor pelas glórias desse mundo, pelo poder e pelo dinheiro. Esse amor não se importa com as coisas que duram para sempre, pensa somente no hoje. Ao mesmo que esse amor é um ódio a Deus, ele faz o homem achar que é auto-suficiente, portanto, não necessita de Deus. Quem acredita que não necessita de Deus termina por se colocar no lugar de Deus. Infelizmente, essa atitude é tão comum na atualidade, e justamente por isso há tanto sofrimento no mundo. Quem pensa que é Deus está disposto a fazer qualquer coisa contra o próximo. Disso nascem as tiranias e as guerras. Enfim, a cidade do diabo terá o seu fim, como nos prometem os profetas da Sagrada Escritura.            

O fim da cidade do diabo significará a vitória final da cidade de Deus. Contudo, no presente, as duas cidades estão destinadas a conviver lado a lado, o que gera o maior conflito de todos os tempos, o motor da história humana: a luta de Lúcifer contra Deus.  A cidade do diabo é a causa a opressão e perseguição que sempre viveu a cidade de Deus. A cidade do diabo era a causa da escravidão a que os judeus foram vítimas nos tempos de Moisés. A cidade do diabo no século XX novamente oprimiu o povo judeu e provocou a maior guerra de todas, e no início do século XXI o maior atentado terrorista da história, em 11 de setembro. A cidade do diabo está viva e convive entre nós, como se fosse invisível. Apenas os habitantes da cidade de Deus podem vê-la, porque sentem na pele o sofrimento que é ser perseguido por pregar a palavra de vida e salvação de Cristo. E por amor e devoção ao anúncio da palavra de Deus, são mortos todos os dias. Morrem justamente porque amam Aquele que a cidade do diabo odeia, o Deus único e verdadeiro, criador e mantenedor de todas as coisas.

É estarrecedor saber que no século XX morreram mais mártires cristãos que em todos os outros séculos juntos. Na verdade os profetas já haviam anunciado que nos últimos dias o mundo seria palco de coisas terríveis jamais vistas, que aqueles que amam ao Filho de Deus seriam perseguidos e mortos por sua fé.

Contudo, é maravilhoso ver como após dois milênios de sofrimentos e perseguições, a fé em Cristo permanece viva, e continua gerando conversões. O fato de Cristo hoje curar e libertar tantas vidas demonstra que nossa fé é verdadeira. A cidade do diabo, porém, odeia a verdade, pois ela prefere inventar suas próprias verdades, que na verdade são enganos, armadilhas a afastar multidões da cidade de Deus.

A cidade de Deus é o puro amor, um sentimento que transcende o próprio eu, e nos leva a uma união perfeita com o Criador. A cidade de Deus é movida por um amor tão perfeito que ama até quem a odeia, persegue e mata seus moradores. Os habitantes da cidade de Deus amam tanto a Deus e ao próximo que chegam até a esquecer de si, porque não lhes importa morrer. Sabem que a alma é imortal, e para cultivá-la corretamente só o completo desprendimento das coisas do mundo levam a uma perfeita comunhão com Deus. Sendo imortal, a alma daquele que ama verdadeiramente a Deus retornará a Deus, enquanto a alma daqueles que o odeiam verão “a segunda morte: o lago de fogo” (Ap 20, 14).

Recordo-me de um dos maiores moradores da cidade de Deus: são Francisco de Assis. Este grande santo compreendeu como era inútil amar as coisas terrenas, que o tempo destrói. Numa demonstração de seu amor por Cristo, deixou tudo para trás, como tinham feito os primeiros discípulos de Jesus. São Francisco inclusive despiu-se de suas próprias roupas ao deixar a casa de seu pai. Transformou-se em mendigo aos olhos da cidade do diabo, mas riquíssimo à cidade de Deus. A ordem religiosa que fundou continua viva como nunca, passados tantos séculos. Tive a felicidade de visitar seu túmulo, na cidade de Assis, na Itália, e o local onde ele morreu, e pude pessoalmente observar como multidões, movidas por tão belo testemunho de vida, são atraídas a esses locais. A vida de são Francisco demonstra como os atos feitos com verdadeiro amor a Deus permanecem, não são esquecidos, ao passo que as ações da cidade do diabo estão fadadas ao esquecimento. Quem atualmente conhece o nome de três imperadores da mesopotâmia, que viveram a mais de três mil anos? Por outro lado ainda recordamos da vida santa de homens de fé como Abraão.   

O destino da cidade do diabo é a autodestruição, a morte e o esquecimento. Pela Palavra de Deus sabemos que o bem triunfará no final. O destino da cidade de Deus é a eternidade. Seus moradores saberão o que é a verdadeira vida, terão uma existência infinitamente plena e feliz. O tabernáculo de Deus, a nova Jerusalém “descida do Céu”, estará entre aqueles que crêem e morrem em Cristo. O próprio Deus encarnado, o Verbo, caminhará entre aqueles que tiverem seus nomes inscritos no livro da vida.      


Referência
AGOSTINHO, Santo. A cidade de Deus. 10 ed. Bragança Paulista: São Francisco, 2007.

terça-feira, 10 de abril de 2012

A bela verdade da morte e ressurreição de Cristo

Antonio Pinho

E por mais que eu me esforce
Não sei bem se Te conheço
Tu enxergas o profundo
Eu insisto em ver a margem
Quando vês o coração
Eu vejo a imagem


É este o meu trecho preferido de uma das mais pelas canções de Pe. Fabio de Melo, Humano Demais. Eu me identifico muito com o sentimento expresso por esses versos. Pois, quando à noite, antes de dormir, me coloco a pensar em Deus, sempre descubro coisas novas e belas. Sigo assim o conselho de Santo Agostinho: “Não saias de ti, mas volta para dentro de ti mesmo, a Verdade habita no coração do homem” (A verdadeira religião, 39,72). De fato, a Sagrada Escritura nos diz que o Reino de Deus habita em nossos corações. São Paulo, na Carta aos Romanos, afirma que a verdade fora colocada pelo Criador em nossa alma. Quando, no silêncio, nos voltamos para nosso interior, descobrimos a face de Deus. “Se perscrutarmos nossa alma, segredos se nos mostram as delícias do pensamento” (Chateaubriand, O gênio do cristianismo). Mas, por mais que eu tente, como diz a música, não sei bem se conheço Jesus.

A realidade da encarnação de Cristo é tão grande e maravilhosa, que por mais que se escreva e se reflita sobre ela, não chegamos a uma compreensão plena desse mistério. É tal como a metáfora usada por São João, no final de seu Evangelho: livros poderiam cobrir todo o mundo, mesmo assim faltariam coisas a escrever sobre Cristo. São Paulo está certo quando fala que agora apenas conhecemos a Jesus como que em reflexo, e não sua verdadeira face. A Verdade plena nós conheceremos somente no dia em que sua glória for novamente manifestada, na sua volta, momento em que nós, seres imperfeitos e corruptíveis, seremos transformados: o véu divino da incorruptibilidade nos cobrirá. Deus nos tornará perfeitos. Somente então poderemos ter completo conhecimento do Verbo feito carne. Mesmo assim, na eternidade, continuaremos progredindo nesse conhecimento. Do infinito que Ele é somente vemos uma ínfima parte, na qual confiamos e temos fé.

Confesso minha ignorância. Ainda estou muito longe que compreender a grandiosidade de Deus: tornar-se homem e morrer pelo homem. Deus é um mistério. E como afirmava Chateaubriand, em seu livro acima citado, O gênio do cristianismo, “As coisas misteriosas são o que há mais belo, grandioso, e doce na existência.”

A Bíblia nos mostra como o homem se torna iníquo quando se distancia de Deus. O gesto de negar a Deus – como contam tantas histórias da Bíblia – gera autodestruição, morte. Mesmo o homem chegando ao extremo do mal, que é odiar Deus e vê-lo como fonte do mal, Deus mostra sua misericórdia e continua amando a humanidade, sua mais preciosa criação. Deus amou tanto que “nos deu mais uma chance”. Essa “última chance” é Jesus. Crer verdadeiramente nele significa ter a verdadeira vida. Ou seja, se em Cristo morremos, em Cristo renasceremos para a eternidade. Aqueles que dão seu sim a “chance” que Deus nos deu, verão maravilhas no mundo novo que Deus prepara aos que serão salvos, o Reino dos Céus. Dar um sim pra Deus significa crer que Jesus morreu na cruz e ressuscitou.

Fico pensando: “como pode Deus morrer?” Com essa pergunta, então, descubro que o Amor tudo faz. Cristo disse que não há maior amor do que morrer por um amigo. Se creio que Deus morreu numa cruz por mim, descubro que tenho o maior amigo de todos. Descubro que aquele que criou as mais distantes galáxias desse imenso universo se importa e ama um pobre, pequeno e ignorante pecador como eu, “pequena partícula da criação” (Santo Agostinho, Confissões). Descubro que Deus quis viver minha condição, viver minhas fraquezas. Eis a grandeza de Deus, tornar-se pequeno. É na pequenez de uma criança de Belém, filha de um humilde carpinteiro, que a maravilha do Amor de Deus se revela em sua totalidade, que mesmo ainda não compreendendo, creio.

Também penso no seguinte: o que teria ocorrido se no tempo de Jesus os homens o tivessem aceitado, colocando-o no trono de Davi? Bom, essa era uma possibilidade, os homens são livres para fazer o mal ou o bem. Se tivessem feito o bem, Jesus não teria morrido, e o Reino dos Céus já teria se concretizado há dois mil anos. Por outro lado, Deus conhece o coração humano, sabe que nele existe uma propensão ao mal. Deus sabia que os homens negariam mais uma vez a Verdade – como já tinha feito Adão, ou depois, a humanidade nos tempos de Noé –, mesmo assim, Deus, na sua imensa misericórdia, não desistiu de nós. Os homens tinham se desviado tanto da Verdade, que foi necessário que a Verdade se tornasse carne. Era necessário que a Verdade viesse até nós, senão jamais a conheceríamos, e sem Ela estaríamos fadados a morte. Mas Deus tem outros planos, que não são de morte, mas de “vida, e vida em abundância.” A realidade do mistério de Deus é que não é o homem que encontra a Verdade, mas é a Verdade que vai ao encontro do homem.

De fato, a Verdade se encarnou e veio até nós, para tirar-nos da miséria da morte. Como odiamos a Verdade, nós a matamos. Porém, o que é maravilhoso, diante do maior ato de ódio da história, a Verdade continuou nos amando, por isso ressuscitou. Deus provou que nada pode vencer a Verdade, nem a morte. Por isso, se cremos nesse Amor, na sua encarnação, morte e ressurreição, também venceremos. Teremos a maior vitória de todas: a vida eterna ao lado de Jesus.

Mesmo sabendo disso, “por mais que eu me esforce, não sei bem se Te conheço”. O mistério da Páscoa me faz ter fé no que não vejo, me faz procurá-lo mais. Quero a cada dia melhor conhecê-lo. Como só o conheço em parte, continuo buscando a Deus, até que um dia eu possa vê-lo face a face.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Demóstenes Torres - o que faltou dizer

Ontem publiquei aqui um artigo sobre o caso Demóstenes. Agora há novas informações. Hoje soube que as gravações foram feitas de modo ilegal. Como prevê a lei, gravações feitas sem autorização judicial, num processo, não possuem validade como provas de acusação. Diante desses novos fatos só há uma coisa a se falar: tudo o que a mídia e o governo estão fazendo contra o senador Demóstenes é um grave crime de calúnia. A Polícia Federal ficou inimagináveis três anos vigiando a vida desse político, e agora, num momento mais que oportuno, às vésperas do julgamento do mensalão, criam todo esse circo, fazendo vazar, num ato de banditismo descarado, os diálogos com Cachoeira.

Nada disso me provoca surpresa, pois esse não é o país do Big Brother?

Leia também: Demóstenes Torres, o bode expiatório da vez